07/02/2026 às 15:17

Autoregulação emocional: por que a criança ainda não consegue sozinha — e qual é o papel do adulto

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Autoregulação emocional: por que a criança ainda não consegue sozinha — e qual é o papel do adulto

Muitos pais se perguntam, em momentos de crise:

“Por que meu filho não consegue se acalmar?”

“Ele já não entende o que é certo e errado?”

“Por que repete o mesmo comportamento?”

A resposta passa por algo fundamental — e ainda pouco compreendido: autoregulação emocional não nasce pronta. Ela é construída ao longo do desenvolvimento, a partir da relação com o adulto.

Nos primeiros anos de vida, o cérebro da criança ainda não tem maturidade neurológica para organizar emoções intensas sozinha. Quando ela chora, grita, se joga no chão ou entra em colapso emocional, não está escolhendo agir assim. Está reagindo com o único recurso que tem disponível naquele momento.

É por isso que, antes da autorregulação, existe a co-regulação.

A criança aprende a se acalmar a partir da experiência de ser acalmada. Ela observa o adulto, sente o tom de voz, o ritmo da respiração, a postura corporal, o olhar. Tudo isso comunica segurança — ou ameaça — para o sistema nervoso infantil.

Durante uma crise emocional, o cérebro entra em modo de sobrevivência. Nessa hora, explicações longas, sermões ou tentativas de “fazer entender” simplesmente não funcionam. O aprendizado só acontece quando o corpo volta ao estado de segurança.

O adulto que consegue permanecer presente, firme e emocionalmente disponível oferece algo precioso: um sistema nervoso mais organizado para apoiar um que ainda está em formação. Com o tempo, essa experiência vai sendo internalizada pela criança. O que hoje vem de fora, aos poucos passa a existir por dentro.

Mas esse processo não é simples — especialmente porque muitos adultos também não aprenderam a regular as próprias emoções. Criar filhos costuma ativar histórias, memórias emocionais e padrões antigos. Por isso, falar de autorregulação infantil inevitavelmente nos leva a olhar para o adulto que cuida.

Não se trata de ser calmo o tempo todo. Trata-se de consciência, responsabilidade emocional e capacidade de reparar quando falhamos. O vínculo não se constrói na ausência de erros, mas na forma como voltamos depois deles.

Autoregulação é um aprendizado relacional. Um processo que envolve cérebro, corpo, vínculo e repetição. E quanto mais cedo esse caminho é compreendido, mais segurança emocional a criança desenvolve — agora e no futuro.

Nem sempre o que a criança precisa é de correção. Muitas vezes, ela precisa de alguém que aguente a emoção com ela… até que aprenda, aos poucos, a fazer isso sozinha.

07 Fev 2026

Autoregulação emocional: por que a criança ainda não consegue sozinha — e qual é o papel do adulto

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